Rio Preto ganhou, em 2010, mais 20.772 veículos, o que corresponde ao maior crescimento da década. A marca histórica obtida no ano passado contribuiu para que a frota do município chegasse aos atuais 288.617 automóveis, o equivalente a dois veículos para cada três habitantes. A falta de transporte público de qualidade é apontado como o principal responsável por esse aumento.
Segundo o fundador da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, engenheiro civil especializado em trânsito, Roberto Scaringella, uma das formas mais eficazes de se minimizar os efeitos no trânsito é o transporte coletivo de qualidade. “O número de veículos cresce, mas o número de vias não.
Ter um transporte coletivo bom e com preço acessível incentiva as pessoas a deixarem os carros em casa. Afinal, dependendo do preço da passagem e da eficácia do transporte, compensa o cidadão pagar a parcela de uma moto, por exemplo, do que gastar com passe de ônibus”.
Esse é o caso da fisioterapeuta Talita Meneguetti Pinheiro, 27, que há cerca de dois anos conseguiu comprar seu primeiro carro. “Eu não aguentava mais depender de ônibus. Assim que pude, comprei meu carro. Foi uma vitória”.
A dona de casa Vera Lúcia Paes Landin de Souza Soares, 44, que possui seis veículos em casa – 3 carros, 2 motos e uma van – diz que se o transporte coletivo da cidade fosse melhor não utilizaria tanto ao automóvel. “Se não demorasse tanto e não fosse tão ruim eu deixaria de ir de carro a vários lugares para não precisar me estressar procurando vaga para estacionar. E incentivaria meus filhos a usá-lo também, porque sairia mais barato”.
O secretário de Trânsito, Transporte e Segurança de Rio Preto, Aparecido Capello, reconhece que o aumento no número de veículos causa transtornos. “Esse crescimento significa um trânsito mais complicado, com mais congestionamento e acidentes”. Ele afirma que a pasta está realizando trabalho de sinalização de solo e instalação de semáforos inteligentes e rotatórias para tentar minimizar os problemas causados pelo excesso de veículos.
Estrangulamento
Segundo Capello, existem hoje 50 pontos de estrangulamento nas vias do município e, durante os horários de pico (das 7h30 às 9h e das 17h30 às 19h), quatro pontos da cidade são os que acumulam maiores congestionamentos: BR-153 no acesso à avenida Nossa Senhora da Paz, entrada da rodovia Washington Luís para avenida Alberto Andaló, rotatórias da avenida Ernani Pires Domingues nos acessos às avenidas Fortunato Ernesto Vetorazzo, Mirassolândia e Domingos Falavina.
Motoristas concordam. “É muito carro para pouco espaço”, resume José Sensão, 56, morador do Solo Sagrado. O promotor de vendas Eliéber Duran Januário, 30, circula pela cidade durante todo o dia e também reclama. “São muitos carros, vira e mexe tem acidente.”
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