O grupo proprietário do Interior Eventos, em Mirassol, vai transformar o espaço em um shopping atacadista de confecções. Com a instalação deste centro de compras, a região perderá o local mais utilizado para grandes eventos, como a Feira de Móveis do Estado de São Paulo (Movinter), que termina hoje. O principal motivo que levou o grupo de 13 sócios a repensar a utilização do Interior Eventos foi sua ociosidade na maior parte do tempo. Durante o ano, menos de dez eventos são realizados no local. O destaque fica por conta mesmo da Movinter, que é bienal.
Outra razão que inviabiliza a continuidade do uso do Interior Eventos para receber feiras e eventos, segundo Velani, é a construção de um centro de eventos pela prefeitura de Rio Preto, na área do Parque Tecnológico. Segundo o presidente do Interior Eventos, Elzo Velani, a força da indústria de confecções da região motivou a escolha do segmento. O grupo também fez um estudo de viabilidade do novo projeto. “Lojistas de vários Estados passam por Rio Preto com destino a outros polos para abastecer suas lojas, além disso tempos outros dois centros atacadistas em Rio Preto”, disse.
De acordo com Velani, devem ser gerados 2 mil empregos diretos com a nova destinação do Interior Eventos, além dos indiretos, já que movimenta setores de prestação de serviços, embalagens, entre outros. O nome do empreendimento ainda não foi definido. Mas já é certo que serão instaladas 170 lojas de confecção, um restaurante, dois cafés, docas para receber 40 ônibus, sala para os guias, estacionamento para cerca de 300 visitantes e um salão de festas para desfiles, com capacidade para 800 pessoas.
Segundo Velani, as obras de adequação, que incluem colocação de pisos, colocação de paredes e de vitrines das lojas, estão previstas para começar em 90 dias. O valor dos investimentos não foi divulgado. A expectativa dos proprietários é que a inauguração do centro ocorra em meados de 2011. O projeto já está pronto e o próximo passo é fazer contatos com lojas de todo o Brasil. As lojas terão área média de 60 metros quadrados. As 10 lojas âncoras serão maiores, com espaço de 120 a 240 metros quadrados. “Queremos atrair grandes marcas”, afirmou.
Hotel
Em uma segunda etapa, os proprietários pretendem construir um hotel para receber os lojistas que viajam em caravanas, além da população flutuante. O local deve ter 60 apartamentos, do tipo econômico, no térreo. Essa fase deve ocorrer dentro de dois anos, depois que o shopping estiver estabilizado e consolidado. “Por enquanto, os lojistas ficarão em hotéis conveniados”, disse.
Calendário
Segundo Velani, a ociosidade do local motivou a mudança na destinação do Interior Eventos. Fundado há dez anos, o local deveria ser utilizado mais vezes ao ano, mas a falta de um calendário anual definido, que pulverizasse os eventos em mais períodos, também atrapalhou. “O ideal é um movimento contínuo, que tivéssemos dez feiras anuais iguais à Movinter. Mas o problema é que ela é bienal.” Para Velani, a mudança não deve ser encarada como uma perda para a região, mas um ganho pela geração de emprego, renda e arrecadação de impostos, especialmente para Mirassol.
Sérgio Menezes
José Carlos Melo desaprovou a saída da Movinter de Mirassol Movinter vai para São Paulo a partir de 2012
Ao som do grupo Demônios da Garoa, os industriais da região de Rio Preto receberam a notícia de que a Feira de Móveis do Estado de São Paulo (Movinter), realizada em Mirassol há oito edições, se muda para São Paulo a partir de 2012. A data da próxima já está marcada, de 7 a 10 de agosto, no Centro de Exposições Imigrantes.
A mudança de local surpreendeu boa parte dos empresários dos polos moveleiros de Mirassol e Votuporanga, que foram comunicados na noite de quarta. Ontem, no penúltimo dia da feira, o sentimento era de tristeza e decepção pela transferência de local. Muitos, ainda não sabem se participam da próxima edição. A perda da identidade regional, conquistada ao longo de 16 anos, o distanciamento dos clientes, que podiam visitar as indústria, assim como o aumento de custos com a ida para São Paulo, foram apontados como os principais problemas pelos empresários.
Proprietário da Colchões Celiflex, o presidente da Associação Industrial da Região de Votuporanga (Airvo) e do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Votuporanga (Sindimob), José Carlos Melo, estava arrasado. Tanto que já disse que não vai participar da próxima edição da feira. “Tudo fica mais difícil. O maior parque moveleiro do Estado fica na nossa região e agora será inviável a participação”, disse.
Para o diretor de exportações do grupo Bechara, Igor Paes de Arruda, a transferência da Movinter para São Paulo leva consigo a identidade regional do evento. “Com a feira aqui, na nossa casa, podemos levar o cliente fábrica. Essa proximidade é muito importante.” Apesar da perda para a região, segundo Arruda, o grupo vai continuar participando do evento.
O empresário Maurício Manzano, gerente administrativo da Patrimar Móveis, de Jaci, disse que a mudança é horrível, decepcionante. “Foram muitos esforços para que a feira tivesse visibilidade nacional e até internacional”, afirmou. Para ele, além da perda da identidade, as dificuldades com a ida para São Paulo serão enormes, incluindo os custos. Ele ainda não sabe se participará da próxima edição da Movinter.
O diretor administrativo da Fabrimóveis, de Mirassol, Walmir Maciel, também estava muito triste, mas tem a esperança de que os governos de Mirassol e Rio Preto, separados, ou até mesmo juntos, possam construir um novo pavilhão de eventos. “Podemos fazer feiras em qualquer lugar do Brasil, mas nada melhor do que sermos os anfitriões do evento”, disse. Maciel afirmou que vai refletir se valerá a pena participar do evento em São Paulo. Ele estima que o custo do metro quadrado seja cinco vezes mais caro do que o de Mirassol. “A lamentação é geral”, afirmou.
Mudança era prevista desde o início do ano
O diretor da Múltiplus Feiras & Eventos, realizador da Movinter com Sindicato da Indústria do Mobiliário de Mirassol (Simm), Augusto Balieiro, disse que desde o início do ano a mudança da Movinter já era dada como certa, devido às negociações do Interior Eventos. “Foi uma decisão tomada com os empresários locais e, das opções que tínhamos, São Paulo foi a mais interessante, em função dos atributos da cidade”, disse.
Balieiro destacou a facilidade de acesso ao Centro de Exposições Imigrantes, a proximidade com o aeroporto de Congonhas, a disponibilidade da rede hoteleira, entre outros fatores. “A visitação de um maior número de clientes será mais fácil em São Paulo”, disse. Questionado sobre a possibilidade de o centro de eventos que está sendo construído pela prefeitura de Rio Preto abrigar a Movinter quando estiver pronto, Balieiro disse que o espaço mínimo necessário é de 20 mil metros quadrados. “Isso também depende do grupo de expositores e o que vai manter a feira são os negócios fechados.”
Segundo ele, o Interior Eventos já estava pequeno para abrigar os expositores. Nesta edição, 140 estão presentes. A área do local é de 16 mil metros quadrados. De acordo com Pedro Benvindo, presidente do Simm, São Paulo se apresenta como a melhor opção porque a região não tem um espaço adequado para receber a feira. Para ele, o ponto positivo é que a mudança será para o maior centro da América Latina para exposições. “A localização é facilitada, as acomodações são boas.”
Para Benvindo, Mirassol não vai perder com a saída da Movinter, ao contrário, vai ganhar porque o espaço terá outra finalidade, que vai render empregos e mais negócios para a região. A 8ª edição da Movinter termina hoje. O funcionamento é das 13 horas às 20 horas, exclusivamente para empresários, lojistas e pessoas ligadas ao setor.
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