No ano em que se comemora o centenário do nascimento de Chico Xavier, teatro, cinema e literatura resgatam a vida do médium que psicografou 412 livros, ganhou popularidade no Brasil e ficou conhecido no mundo. Só no cinema, cinco filmes vão retratar as realizações do homem eleito em votação popular o mineiro do século 20.
O primeiro a chegar às telas será “Chico Xavier”, filme de Daniel Filho. A estreia acontece no próximo dia 2 de abril. O dia o mês de lançamento coincidem com a data de nascimento de Xavier, que nasceu em 1910 e morreu em 2002.
O filme mostra o então Francisco de Paula Cândido ainda menino, já começando a apresentar as primeiras manifestações mediúnicas. Adulto, tem contato com a doutrina espírita, passa a ajudar doentes e pessoas que perderam entes queridos, sob a orientação de Emmanuel, seu guia espiritual. Começa também a psicografar livros. Ganha popularidade, é questionado, vira polêmica. No elenco, nada menos do que 135 atores. Entre eles, Nelson Xavier e Ângelo Antônio, que interpretam o médium em diferentes fases da vida, Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam e Letícia Sabatella.
O longa de 125 minutos é baseado no livro “As vidas de Chico Xavier”, de 2003, escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior. O produtor executivo do filme, Julio Uchoa, afirma que o longa conta a história do médium e não restringe a obra a uma questão de religião. “É um filme para todos os públicos. Independente de religião, é a história de uma grande pessoa, interpretada por excelentes artistas, que se dedicaram para honrar o brasileiro que escreveu mais de 400 livros, doou todos os direitos a donativos e tem uma vida riquíssima.”
Foram investido aproximadamente R$ 12 milhões na produção. Para contar uma história de um homem que viveu 92 anos, foi necessária muita pesquisa. “O diretor de arte percorreu as casas onde Chico viveu, as pessoas com quem ele interagia. O figurino pôde ver roupas dele que estavam guardadas, a cor que ele usava. Nelson (Xavier) e Ângelo (Antônio) conheceream as pessoas que viviam próximas a ele. O Nelson ganhou um terno e o Ângelo um perfume que Chico usava em momentos importantes.”
O estudo sobre a vida do médium traz para a obra cinematográfica características dele não conhecidas pelo grande público. “As pessoas também vão poder se divertir, rir, porque Chico tinha um belo bom humor.” Uchoa afirma que o filme tem uma hora e 20 minutos de efeitos que reconstruíram as Minas Gerais do passado – Chico Xavier nasceu em Pedro Leopoldo e viveu em Uberaba. “A maior parte dos efeitos são das cidades que a gente teve de ‘apagar’ para depois elas crescerem.”
Também no primeiro semestre deste ano deve ser lançado o documentário “As Cartas”, de Cristiana Grumbach.”É um documentário de longa-metragem com a participação de famílias que perderam filhos e receberam cartas psicografadas por Chico”, explica Cristiana.
A diretora conta que, em 2004, durante um jantar com o documentarista Eduardo Coutinho e o produtor Donald Ranvaud, este último contou a experiência que viveu em Uberaba ao presenciar uma sessão de psicografia de Chico Xavier. Na ocasião, ela se lembrou então do avô falecido, e de que ele lera o livro “As vidas de Chico Xavier”, de Souto Maior. “Fiquei pensando muito em como deve ser receber uma carta de uma pessoa querida que já faleceu. Daí me surgiu a ideia do filme.” E junto com a ideia, várias perguntas: “Qual é o sentimento ao receber uma mensagem supostamente vinda do ‘outro mundo’? Como as pessoas identificaram seus filhos nas cartas? Acreditaram ou não nestas mensagens?”
As filmagens foram feitas em setembro e outubro de 2007, em São Paulo. A diretora fala do desafio de produzir um filme ligado à vida de Xavier. “Foi e está sendo muito especial. Nunca se sai impunemente de um filme, os filmes que fazemos nos habitam para sempre. ‘As Cartas’ continuarão ecoando em minha alma por toda a vida.”
Nosso lar
Em vez de falar sobre a vida de Chico Xavier, o diretor Wagner Assis buscou na obra do médium inspiração para um filme. O longa será lançado em 3 de setembro e é baseada no livro “Nosso Lar”, psicografado por Xavier. A obra conta a história do médico André Luiz e de sua passagem do mundo terreno para o espiritual. Ainda na lista de filmes sobre o médium em fase de produção estão “As Mães de Chico”, de Glauber Filho, e “E a Vida Continua”, de Paulo Figueiredo.
Três livros serão lançados em abril
“Chico Xavier em pessoa” é o nome da peça que o autor, diretor e ator Cyrano Rosalém escreve sobre o médium. O espetáculo deve estrear no segundo semestre. Rosalém, que é espírita, há 10 anos integra montagens do gênero. “Chico não era só um médium especial. Ele tinha a capacidade de auxiliar as pessoas com humildade.” O ator e diretor Ricardo Prieto (protagonista do filme “Nosso Lar”) está envolvido no projeto da peça. “Minha vontade é criar um espetáculo em que a plateia se sinta diante do próprio Chico.”
No mercado editorial, serão ao menos três novas obras, que serão lançadas no 3º Congresso Espírita Brasileiro, a ser realizado em Brasília, de 16 a 18 de abril. O evento tem o objetivo de disseminar as obras do médium. Dois livros editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB) serão apresentados. O primeiro é uma edição comemorativa da primeira obra de Chico, “Parnaso de além túmulo”, de 1932. O segundo, “Depoimentos sobre Chico Xavier”, é acompanhado de DVD. A obra conta com depoimentos de pessoas que conviveram com o médium. O terceiro é uma biografia, “Chico Xavier, a obra e o médium”, escrita em francês e traduzida para o português.
Segundo Cesar Perri, diretor da FEB, o centenário de Chico Xavier também será homenageado pelos Correios, com selo comemorativo, e pela Casa da Moeda, que fará medalha comemorativa.
Em Rio Preto
As comemorações do centenário de Chico Xavier em Rio Preto devem acontecer em abril, mas ainda não tem data definida. Há a possibilidade de a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE) realizar uma programação que irá integrar as homenagens a Chico e ao Dia Nacional do Espiritismo, comemorado no dia 18 de abril.
Fonte: DiárioWeb
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