Barão do Ecstasy e mais 20 são condenados por tráfico

Publicado dia 14 de fevereiro de 2010

A juíza Maria Letícia Buassi, da 4ª Vara Criminal de Rio Preto, condenou Israel Domingues de Oliveira, apelidado pela polícia de Barão do Ecstasy, a 12 anos de prisão por tráfico internacional de drogas. Outras 20 pessoas também foram condenadas a penas que variam de 4 a 12 anos. Todos poderão apelar em liberdade.

De acordo com a investigação, o grupo dividia tarefas de aquisição, transporte, guarda e distribuição das drogas skank, haxixe, cocaína e ecstasy em Rio Preto e no litoral paulista. A quadrilha ainda comprava cocaína no Peru e utilizava os chamados “mulas” para levá-la a países como Portugal, Espanha, Alemanha e Holanda, onde era trocada por ecstasy, comercializado em micaretas.

Em maio de 2005, Marivaldo Ferreira Chaves, ex-candidato a vereador de Rio Preto, foi preso no aeroporto de Cumbica com 4,3 mil comprimidos de ecstasy. Na semana seguinte, em São Vicente (SP), Israel Domingues foi preso com 18,4 mil comprimidos de ecstasy e 5,5 quilos de cocaína. Começava aí o processo que chegou a 30 volumes e 6 mil páginas. A sentença foi dada quarta-feira passada, dia 10.

Quatro advogados de defesa disseram nesta sexta-feira que vão apelar. Eles consideram as penas “exacerbadas”, como disse José Roberto Curtolo. O promotor Lelis Moreira também vai apelar, mas para pedir aumento das penas ou cumprimento em regime mais severo.

Israel não gosta do apelido de ‘Barão‘
Israel Domingues de Oliveira, que a polícia batizou de “Barão do Ecstasy”, não gosta do apelido. “Se eu fosse barão, morava em mansão”, disse ele ao receber a reportagem do BOM DIA no pequeno bar que mantém na antiga rua 1 do bairro João Paulo 2º, a atual Antonio Rubio Filho.

Ele admite culpa no processo em que a polícia o acusou de manter comprimidos de ecstasy e 5,5 quilos de cocaína na sua casa de São Vicente, no litoral de São Paulo, em maio de 2005.

Mas não concorda com a pena. “Eu estava com a droga em casa, armazenada, mas não era minha. A droga tinha vindo do Peru e eu estava fazendo apenas um transporte. E lá em Santos eles disseram que eu tinha 5,5 quilos, mas havia 9 quilos na casa”, afirma.

‘Bode expiatório’
“Fui condenado com justiça. Só acho que minha pena foi muito pesada. Muitos pegaram só três anos. E eu fui condenado a 12 anos. Eles queriam um bode expiatório para jogar na mídia. Favoreceram pessoas envolvidas e jogaram tudo em cima de mim.”

O advogado de Israel, Marcello Rodrigues Ferreira, vai apelar. “Não sou contra a condenação, mas a pena foi pesada demais.”

Os 21 condenados e a pena de cada um
1. Israel Domingues de Oliveira (ou Waldemar de Oliveira) – 12 anos – regime fechado
2. Israel Dias de Oliveira – 8 anos – fechado
3. Rodrigo Rizzo Sperândio – 8 anos – fechado
4. Maria Aparecida Dias de Oliveira – 8 anos – fechado
5. Carlos André Kerber – 5 anos – fechado
6. Marivaldo Ferreira Chaves – 5 anos – fechado
7. Maura da Silva Marques Penha – 5 anos – fechado
8. Daniel Haidar Amaral Husseini – 5 anos – fechado
9. Simone Dias das Neves – 4 anos – semiaberto
10. Alexsandro Miguel Domingues Oliveira – 4 anos – semiaberto

11. Roni Brochi – 4 anos – regime semiaberto
12. Janaína Mourão da Silva – 4 anos – semiaberto
13. Gisele Richarte Montesseli – 4 anos – semiaberto
14. Rogério Gomes da Silva – 4 anos – semiaberto
15. Décio Antonio Ullian – 4 anos – semiaberto
16. Wander Cley Leite de Andrade – 4 anos – semiaberto
17. Cândido Luiz Cunha Brito – 4 anos – semiaberto
18. Durval Manoel Dias Neto – 4 anos – semiaberto
19. Evandro Ricardo Ribeiro Amêndola – 4 anos – semiaberto
20. Fabrício Alexandre dos Santos – 4 anos – semiaberto
21. Ricardo Ferreira Mota – 4 anos – semiaberto

Notícia: Agência BOM DIA

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